Música armorial, antiga e expressões artísticas correlatas.

terça-feira, 3 de maio de 2011

ANTÔNIO NÓBREGA - MADEIRA QUE CUPIM NÃO RÓI

Cria do Movimento Armorial, Antônio Nóbrega saiu do Quinteto e iniciou sua carreira solo, de pesquisa, composição, interpretação e brincante. Um dos maiores expoentes da Cultura Nordestina da atualidade, este grande artista nos conquista com seu carisma, alegria e talentos inigualáveis.


Saiu do Movimento Armorial para beber direto na fonte.




Lista de músicas:


1. Abrição De Portas
2. Canudos
3. Chegança
4. Quinto Império
5. Olodumaré
6. Nascimento Do Passo
7. Andarilho
8. O Vaqueiro E O Pescador
9. Quando As Glórias Que Gozei...
10. Madeira De Cupim Não Rói
11. Corisco
12. Monga
13. Coco Da Lagartixa
14. Maracatu Misterioso
15. Rasga Do Nordeste
16. Licao De Namoro
17. Sambada Dos Mestres
18. Vou-Me Embora


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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

MOACIR LAURENTINO E SEBASTIÃO DA SILVA - CANTORIA DE VIOLA

Repentistas de valor: Moacir Laurentino e Sebastião da Silva, na série "Os grandes repentistas do Nordeste".

Cantoria de viola de primeira.


Lista de músicas

1. A criança e a flor - sextilha de sete sílabas (Moacir Laurentino / Sebastião da Silva)
2. Se não fizer como eu faço vai apanhar dessa vez -
mote de sete sílabas (Moacir Laurentino / Sebastião da Silva)
3. Maria das Graças - canção (Jansen Filho / Chico Bandeira)
4. A terra a qualquer momento poderá ser destruída -
mote de sete sílabas (Moacir Laurentino / Sebastião da Silva)
5. O sertão e a cidade - sextilha de sete sílabas (Moacir Laurentino / Sebastião da Silva)
6. Cinqüenta anos de idade trinta e cinco de repente - mote de sete sílabas (Moacir Laurentino / Sebastião da Silva)
7. Quanto é belo se ouvir uma trovoada numa tarde de chuva no sertão - mote decasspilabo (Moacir Laurentino / Sebastião da Silva)
8. O pai o carro e o filho - poema (Daudete Bandeira)

Ficha técnica

Moacir Laurentino - voz e viola
Sebastião da Silva - voz e viola
Dedé Paraíso - violão
Xilogravura da capa - Marcelo Soares

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

"A BESTA LOURA CALIBÃ QUE PRECISAMOS ENFRENTAR E DERROTAR, AQUI!"

Xilogravura de Eduardo Ver.


Adalberto Coura, resoluto e violento nas idéias.

A Besta Loura Calibã: causa de todo o flagelo intelectual e cultural (além de sócio-econômico) do Brasil Oficial, Superficial. Algoz do Nosso Povo, opressora da juventude, cuja extraordinária força latente, por sua influência, é sempre convertida em esterilidade e subserviência. Satan desgraçado que nos assombra, atrasando nossas vidas e transformando em fussura azeda nossa capacidade criativa.

É hora de meter uma cangalha neste demônio! Quebrar seus instrumentos elétricos cancerígenos e as pernas dos seus dançarinos! Queimar os seus filmes estúpidos, banir suas palavras esdrúxulas e todo o seu idioma feio! Expurgá-lo, definitivamente, para que aflorem, livres e belas, todas as rosas caatingueiras e ecoem, enfim despertos, altos e solenes, todos os cantares sertanejos, brasileiros, da Raça!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

GRUPO GESTA - A CHAVE DE OURO DO REINO DO VAI-NÃO-VOLTA


O Armorial prossegue; forte prossegue. Assim como correm, fortes, as torrentes do sangue mestiço que me encharcam.
(2004) O Gesta apresenta um repertório que transita entre o popular e o erudito, como o Quinteto Armorial, conjunto que marcou a fase inicial do Movimento: romances ibéricos e brasileiros, toadas e desafios re-elaborados pela inventiva armorial. O Gesta, que utiliza apenas instrumentos acústicos, lançou em 2004 o CD “A Chave de Ouro do Reino do Vai-não-volta”, contando com a participação de Ariano Suassuna na faixa de abertura e no texto de apresentação. Formação: Guilherme Bedran (rabeca), João Bina (percussão e marimbau), Fabio Campos (violão), Maurício Féres (viola) e Pedro Pamplona (flauta e pífano).
O texto abaixo, recitado na primeira música do disco, é fala do grande Dom Pedro Dinis Quaderna, o Gênio da Raça Brasileira, dito de dentro duma cela da cadeia de Taperoá, cidade do Cariri Paraibano.
"Daqui de cima, no pavimento superior, pela janela gradeada da Cadeia onde estou preso, vejo os arredores da nossa indomável Vila sertaneja. 0 Sol treme na vista, reluzindo nas pedras mais próximas. Da terra agreste, espinhenta e pedregosa, batida pelo Sol esbraseado, parece desprender-se um sopro ardente, que tanto pode ser o arquejo de gerações e gerações de Cangaceiros, de rudes Beatos e Profetas, assassinados durante anos e anos entre essas pedras selvagens, como pode ser a respiração dessa Fera estranha, a Terra - esta Onça-Parda em cujo dorso habita a Raça piolhosa dos homens. Pode ser, também, a respiração fogosa dessa outra Fera, a Divindade, Onça-Malhada que é dona da Parda, e que, há milênios, acicata a nossa Raça, puxando-a para o alto, para o Reino e para o Sol."


Lista de músicas:

1. Romance de Minervina – Anonimo, trecho do romance “Pedra do Reino” de Ariano Suassuna
2. Toada e desafio – Capiba
3. Aralume – Antonio Madureira
4. Tirana da Rosa – Anonimo, recolhido pelo coral Trovadores do Vale (MG)
5. Mourão – Guerra Peixe
6. É fulo – Cavalo marinho de Mestre Gasosa (PB)

Guilherme Bedran (rabeca)
João Bina (percussão e marimbau)
Fabio Campos (violão)
Maurício Féres (viola)
Pedro Pamplona (flauta e pífano)

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domingo, 24 de outubro de 2010

CARLOS MAGNO EM CANTORIA

Dos exímios cantadores cearenses Geraldo Amâncio e Zé Fernandes, "Carlos Magno em Cantoria", um disco composto de 5 faixas, cada uma composta de modalidade diferente de cantoria, todas tratando do mito do herói cavaleiresco medieval, Carlos Magno, sob a óptica dos poetas.

Segue o texto do encarte, da Prof. Dra. da UECE, Elba Braga Ramalho:

"Carlos Magno em Cantoria é o que apresentam os repentistas do Ceará, em forma de CD, nesta pequena mostra da riqueza poética de um dos gêneros mais importantes do cancioneiro de tradiçao oral brasileira. A cantoria circunscreve-se, principalmente, ao sertão do Nordeste do país. Nas contínuas migrações dos nordestinos que fogem das secas periódicas (longos períodos de estiagem), foram abertos novos espaços para a representação desta arte em outros pontos do Brasil. Por isso, ela também pertence de fato a cultura urbana, embora, em todos os seus elementos constitutivos, seja parte da cultura rural. Ainda no século XIX, a cantoria abrigava o repente e os poemas épicos. Estes complementavam lutas poéticas-musicais dos repentistas, os quais acumulavam ambas as atividades. A cantoria estabeleceu a elaboração formal da poesia épica nordestina. No início do século XX, deu-se uma ascensão da poesia épica, decorrente de sua divulgação impressa em folhetos e do interesse que o improviso despertou nos intelectuais da época. Esse fato provocou um grande desenvolvimento da poesia popular épica, resultando disso uma primeira divisão de trabalho que mais favoreceu aos poetas do que aos cantadores. No entanto, a cantoria continuou a ser divulgada pelos próprios cantadores, e tem demonstrado sua vitaiidade através da revalorização de formas tradicionais e da incorporação de novas formas. A cantoria, propriamente, é gênero artístico que tem no desafio luta poético-musical improvisada entre dois cantadores um de seus modos de representação. Na dimensão poética, ela integra uma variedade de gêneros ou modalidades que compreendem a organização das estrofes, principalmente, em versos de cinco, sete, dez e onze sílabas poéticas, com rimas e ritmo poético variáveis. Dentre as distintas estruturas estróficas, destacam-se as sextilhas, o gênero mais popular, cujas estrofes contém versos de sete sílabas monorrimas e as décimas, que comportam versos de sete ou dez sílabas, com maior destaque para diferentes gêneros decassilábicos, a exemplo do martelo e de outros mais. Alguns dos gêneros poéticos contêm refrão, motes, ou ainda estão presos a normas mais estritas como no galope soletrado. As sextilhas e as décimas permitem ao cantador demonstrar sua virtuosidade no ato de improvisar. No âmbito musical, cada gênero ou modalidade de repente comporta uma toada que consta de uma linha melódica, geralmente no âmbito escalar de uma oitava, submetida à rítmica do verso. Não é rígida quanto à determinação dos intervalos musicais, permitindo aos cantadores derivações dentro do próprio contorno melódico. Sua reprodução nunca é idêntica entre os próprios parceiros, mesmo em se tratando de algumas formas como o Brasil caboclo, o martelo, o mourão, nos quais o modelo melódico é mais estável. Os ouvintes da cantoria integram um universo muito heterogêneo em termos de status social, mas conseguem manter-se unificados diante dos poetas cantadores, certamente porque eles representam, simbolicamente, a memória viva de sua cultura. Desse público fazem parte o rurícola, o vaqueiro, o pescador, o pequeno comerciante, o fazendeiro, o político, o profissional liberal, o padre, o empresário, enfim, os representantes das diversas camadas sociais que se diferenciam pelas variadas condições de sobrevivência, mas que têm em comum sua origem sertaneja. Estão todos unificados pela identidade com o mundo rural, pelo linguajar específico da região, pelos hábitos comuns de convivência social, pela relacão com a natureza, pelos mesmos sentimentos da religiosidade e da moral tradicional cristã. Neste CD os cantadores cearenses, Geraldo Amâncio e José Fernandes, apresentam parte da riqueza dos estilos de cantoria, integrando tradição e inovação. Os artistas retomaram uma das temáticas da tradição, a figura de Carlos Magno, a qual ainda se faz presente não só na cantoria e no cordel, mas na xilogravura, nos bailes de pastoris e em outras manifestações populares. No comentário do cantador Geraldo Amâncio, os feitos de Carlos Magno são tão conhecidos no sertão quanto a Bíblia Sagrada.

Elba Braga Ramalho"


Lista de músicas

01 - Sextilha
02 - Quadrão perguntado
03 - No tempo de Pai Tomás
04 - Sete linhas
05 - Gemedeira

Geraldo Amâcio - viola e voz
Zé Fernandes - viola e voz

Baixado do blogue viladepatos.blogspot.com.