Música armorial, antiga e expressões artísticas correlatas.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

ELOMAR - DAS BARRANCAS DO RIO GAVIÃO

Mais um do louvável Elomar. Suas fazendas (caatingueiras, sertanejas) lhe trouxeram toda a inspiração para proferir em alto e abençoado tom suas criações de menestrel. Este seu primeiro me impressiona, como um todo, e me enche o peito de melancolia ao soar da "Incelença do amor retirante", como se fosse eu que ouvira, frustrantemente, o grilo violeiro.

Salve, Elomar!



Ficha técnica:

Direção e Produção: Roberto Santana
Técnicos de Gravação: Djalma & Bahia
Estúdio: J.S. Gravações Bahia
Fotos: Jamison Pedra & Sílvio Robatto
Corte: Joaquim Figueira
Todas as composições são de Elomar

Faixas:

01. O Violêro
02. O Pidido
03. Zefinha
04. Incelença do Amor Retirante
05. Joana Flôr Das Alagoas
06. Cantiga de Amigo
07. Cavaleiro do São Joaquim
08. Na Estrada Das Areias de Ouro
09. Retirada
10. Cantada
11. Acalanto
12. Canção Da Catingueira

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terça-feira, 18 de maio de 2010

ANIMA - ESPELHO

Hoje compartilho o último disco da banda Anima (http://www.animamusica.art.br). Conheci-os a partir do seu primeiro: "Espiral do tempo". Músicos duma proposta muito interessante, baseada na música antiga, valorizam instrumentos de época e pesquisa musical. Pra mim, o Anima seria um grupo que canta a história musical brasileira, desde antes do descobrimento (em ambos os lados do atlântico), até a colônia e o que se estabeleceu logo após a mesma.


Às músicas:

1. Santidade - mundano (Tradição oral brasileira - Minas Gerais)
2. Bendito (Tradição oral brasileira)
3. Stella splendens in monte (Anônimo, Espanha, séc. XIV)
4. Dos estrellas le siguen (Manuel Machado)
5. A chantar (Comtessa de Dia, séc. XII)
6. Caleidoscópio - Ricardo Matsuda (Ricardo Matsuda)
7. Engenho novo (Tradição oral brasileira - Rio Grande do Norte e Informada por Chico Antônio)
8. Jongo - tradição oral brasileira (Tradição oral brasileira)
9. Sereia (Tradição oral brasileira - Pará)
10. Beira mar - vinheta (Tradição oral brasileira - Minas Gerais)
11. Lamento - Ricardo Matsuda (Ricardo Matsuda)
12. Casinha pequenina (Tradição oral brasileira - São Paulo)
13. Chominciamento di gioia - aboio (Anônimo, séc. XIV e Tradição oral brasileira)
14. Rosa das rosas (Anônimo, Cantiga de Santa Maria X, séc. XIII - Portugal)
15. Rorate caeli desuper (Canto Gregoriano Is. 45,8; Ps.18)
16. Na hora das horas (Tradição oral brasileira - Paraíba)
17. Viva janeiro (Tradição oral brasileira - Bahia)
18. Beira mar - faixa adicional (Tradição oral brasileira - Minas Gerais)

Ficha técnica:

Dalga Larrondo: percussão
Isa Taube: voz
Luiz Henrique Fiaminghi: rabecas brasileiras
Patricia Gatti: cravo
Ricardo Matsuda: viola brasileira
Valeria Bittar: flautas-doce e yãkwá

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quarta-feira, 12 de maio de 2010

TRÊS CULTURAS - JUDEUS, CRISTÃOS E MUÇULMANOS

Outro arquiteto: Eduardo Paniagua. Este espanhol é um monstro na pesquisa de música antiga, especialmente árabe-andaluza. Toca instrumentos de sopro e percussão e se revelou prodígio gravando quatro discos aos 16 anos. O disco em questão, fruto de uma de suas pesquisas, trata de composições que muito bem retratam a Espanha medieval, então dominada pelos mouros, que se configurou como núcleo europeu de produção científica, filosófica e cultural, graças à vivência conjunta e "harmoniosa" dos povos cristão, muçulmano e judeu. Conta, também, com a participação do famoso alaudista Omar Metioui.

Assim como nosso menestrel das caatingas, Elomar, graças a Deus (Javé, Alá e Javé, com Cristo e Maomé) este Paniagua não se contentou só com os traçados de construções. Boa audição!


Lista de músicas e ficha técnica (retirado do endereço http://www.pneumapaniagua.es - selo Pneuma):

TRES CULTURAS - JUDIOS, CRISTIANOS Y MUSULMANES EN LA ESPAÑA MEDIEVAL

EDUARDO PANIAGUA

1 - KI ESHMERÁ SHABAT - Canción de Shabat de Abraham Ibn Ezra (1089-1167) 3’54”
2 - YA VIENE EL CATIVO - Canción sefardí del Mediterraneo oriental 4’43”
3 - NON ME MORDAS YA HABIBI - Jarcha de la moaxaja nº 8 de Jehuda Halevi (1070-1141) 4’07”
4 - NANI, NANI - Canción de cuna sefardí oriental 5’37”
5 - IODUJÁ RAIONAI - Canción del Shabat de Israel Najara (Safed, siglo XVI) 4’40”

SEFARAD - Dirección EDUARDO PANIAGUA

JORGE ROZEMBLUM - Canto solista, coro, citolón y pandero
AURORA MORENO - Canto solista, coro y tar
LUIS DELGADO - Laúd, zanfona, santur, darbuga, tar y coro
EDUARDO PANIAGUA - Qanun, flautas (fahl, alto, salamilla), y coro

6 al 15 - VIDA Y PEREGRINACIÓN. Música para el Camino de Santiago de Teobaldo I de Navarra (1201–1253), Alfonso X el Sabio (1221–1284) y Códice Calixtino 18’49”

6 - AMOURS ME FAIT COMENCIER 1’51”
Canción de amor de Teobaldo I de Navarra (1201-1253).
Tromba marina, flauta tenor, salterio y címbalos.
7 - FIESTA DE LA CIRCUNCISIÓN 1’40”
Anónimo andalusí en la tradición de Tunez. Maluf,
Laúd, nay, darbuga y tar.
8 - EN QUANTAS GUISAS OS SEUS ACORRER 1’25”
Melodía de la Cantiga 339 de Alfonso X (1221-1284).
Flauta tenor y soprano, zanfona, viola de teclas y tabila.
9 - U ALGUEN A JHESU CRISTO POR SEUS PECADOS NEGAR 1’46”
Melodía de la Cantiga 281 de Alfonso X.
Qanun, salterio, bendir y tar.
10 - A QUE POR NOS SALVAR 2’00”
Melodía de la Cantiga 169 de Alfonso X.
Laúd, fahl, darbuga, tar y címbalos.
11 - GRAN CONFIANÇA NA MADRE DE DEUS 1’58”
Melodía de la Cantiga 268 de Alfonso X.
Flautas pastoriles, panderos, darbuga y qaraqueb.
12 - POIS AOS SEUS QUE AMA DEFENDE TODAVIA 2’11”
Melodía de la Cantiga 264 de Alfonso X.
Dutar, salterio, viola, tromba marina, zanfona, campana y sistro de arena.
13 - DUM PATER FAMILIAS 2’28”
Códice Calixtino. Santiago de Compostela siglo XII.
Flauta tenor, salterio, qanun, viola de teclas, pandero, tar y voces.
14 - COGAUDEANT CATHOLICI 2’00”
Atribuido a Magister Albertus Parisiensis. Códice Calixtino siglo XII.
Flauta soprano, salterio y campanillas.
15 - PHELIPE 1’30”
Debate de Teobaldo I de Navarra.
Cítola, flauta soprano y tenor, salterio, zanfona, darbuga y tar.

LUIS DELGADO - Laúd, dutar, cítola, zanfona, tromba marina, viola de teclas,
darbuga, bendir, pandero, tar, qaraquebs y campanillas
EDUARDO PANIAGUA - Salterio, qanun, flautas soprano, tenor y pastoril, nay,
tromba marina, darbuga, tabila, pandero, tar, sistro de arena, campana y voces

16 - MUWWAL ISBIHÁN - “No todo el que pide felicidad la encuentra” 2’57”
17 - SANÁ Q’AIM WA NISF TAB S-SIKA 7’17”
18 - INSHÁD ISBIHÁN - “Al contemplar no vi a otro amado” Al-Shushtarí (1212-1269) 3’45”

EL ARABÍ SERGHINI - Canto
OMAR METIOUI - Laúd árabe
AHMED AL-GAZI - Viola alto


sábado, 1 de maio de 2010

ELOMAR - NA QUADRADA DAS ÁGUAS PERDIDAS

Salve o menestrel das caatingas! Elomar é artista único e de uma profundidade tão verdadeira que não se pode classificar. Suas músicas são manifestações espontâneas da sua alma e dos espíritos de tudo o que ele canta: dos campos áridos, dos animais e das coisas agrestes, do rio seco, dos intrépidos e sofredores sertanejos. É medieval sem ser europeu; é brasileiro sendo universal. É o Nordeste cantado e tocado em forma atemporal.

“Na quadrada das águas perdidas” é seu segundo álbum, de uma beleza ímpar e sem páreo. Todas as músicas merecem destaque. Ouçamos e nos regozijemos.



Lista de músicas:

01. A Meu deus um Canto Novo
02. Na Quadrada das Águas Perdidas
03. A Pergunta
04. Arrumação
05. Deserança
06. Chula no Terreiro
07. Campo Branco
08. Parcelada (do Auto da Catingueira)
09. Estrela Maga dos Ciganos
10. Função
11. Noite de Santos Reis
12. Cantoria Pastoral
13. O Rapto de Joana do Tarugo
14. Canto de Guerreiro Mongoió
15. Clariô (do Auto da Catingueira)
16. Bespa (do Auto da Catingueira)
17. Dassanta (do Auto da Catingueira)
18. Curvas do Rio
19. Tirana (de O Tropeiro Gonsalin)
20. Puluxias (de O Tropeiro Gonsalin)

Ficha técnica:

Gravação: Alcivando Luz e João Américo
Mixagem: Alcivando Luz
Corte e Montagem: Zorro
Canto e Vilão: Elomar
Flauta: Elena Rodrigues
Violão e Charango: Dércio Marques
Vozes: Dércio Marques, Xangai e Carlos Pita
Direção: Carlos Pita e Dércio Marques
Produção de Agravi: Antônio C. Limonge
Capa: Detalhe de um Óleo de Orlando Celino
Encarte: Prof. Ernani Maurílio
Direção de Arte: Walter O Passos Filho
Estúdio: Seminário de Música da Universidade Federal da Bahia
Todas as composições são de Elomar.

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quinta-feira, 29 de abril de 2010

FORRÓ NO CARIRI - BANDA CABAÇAL DOS IRMÃOS ANICETO

Quem já pôde assistir, ao vivo, a uma apresentação dos Irmãos Aniceto sabe, de fato, o que é o grupo. Expressão artística fortíssima do Cariri cearense, performances cativantes, velhos tocadores de pífano e dançadores com energia e vigor físico que muito bem figuram a frase euclidiana transformada em chavão (mas bem verdadeira!). Àqueles que melhor se identificam e se deixam possuir pelo ritmo e poder das marchas e baiões, um ferver sangüíneo traz ao corpo e à mente um reviver ancestral, recém-miscigenado. Os pífanos dobrados, em contraponto, contratempo, rasgam os ares como sons naturais, tapuias, sob percussão do couro de bode baqueado da zabumba de baraúna e da caixa de guerra. Das cabaçais que conheço, trata-se da mais indígena de todas.

Com gosto de pequi e sons de taboca.




Lista de músicas:

1. Marcha de chegada (domínio público)
2. Marcha caririzeira (domínio público)
3. Marcha rebatida pé-de-serra (domínio público)
4. Marcha de estrada (domínio público)
5. Marcha frevo (domínio público)
6. Forró no Cariri (domínio público)
7. Alvorada (domínio público)
8. Galope (domínio público)
9. Quilombo (domínio público)
10. Bendito de Padre Cícero Romão Batista (domínio público)
11. Bendito de Nossa Senhora das Candeias (domínio público)
12. Bendito de Nossa Senhora da Penha (Maestro Azul & Dom Quintino)
13. O bem-te-vi (Raimundo José da Silva)
14. Alegra o povo (domínio público)
15. Parabéns pra você (domínio público)
16. Quilariô (Cícero, Adriano e Joval)

Ficha técnica:

Antônio - pífano
Raimundo - pífano
Cícero - caixa
Joval - pratos
Adriano - zabumba

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